terça-feira, 8 de março de 2011

Teologia Relacional - Cartas Debate Ricardo Gondim e Eros Pasquini

Rev. Augusto Nicodemus Lopes
Talvez o Apologética em Novo Tempo, juntamente com o Crer Também é Pensar, esteja chegando atrasado nesse debate. Mas estou percebendo que agora é que esse assunto está saindo do meio acadêmico e indo para o meio da IGREJA . Então vejo que devo me envolver um pouco no assunto, pois nunca tive a pretensão de polemizar com ninguém gratuitamente. Só o faço agora por que acho que muitas pessoas podem se confundir com esse "negócio" doido. Estou me inteirando do assunto, adquirindo livros que tratam do tema e lendo tudo que é publicado na rede.
Como sempre deixei claro, esse blog é aberto a pessoas de qualquer confissão religiosa e todos podem participar do debate, porém nunca escondi de ninguém que sou cristão evangélico e continuo crendo nos postulados de minha fé. Quero ainda dizer que sempre admirei os dois maiores envolvidos nessa polêmica, os pastores Ricardo Gondim e Augusto Nicodemus Lopes. É incrível, mas fui influenciado pelos dois na minha caminhada cristã. Esse último é teólogo ligado a minha denominação de origem, Igreja Presbiteriana do Brasil, e aquele representa (ainda que de modo diferenciado) minha denominação atual, Assembleia de Deus.


Um primeiro olhar sobre o assunto pode nos induzir ao erro de taxar o debate a simples querela de calvinista versus arminiano, mas isso é um engano. O Dr. Augusto Nicodemus salienta esse ponto quando afirma que o assunto deve ser entendido, não como uma discussão entre calvinistas e arminianos, mas destes dois contra a teologia relacional. Vários líderes calvinistas e arminianos no âmbito mundial têm considerado esta visão da teologia relacional como alheia ao cristianismo” (Teologia Relacional, um novo deus no mercado http://www.monergismo.com/textos/presciencia/augustus_teologia_relacional.htm).
Percebo, é claro, apesar dessa sábia analise do Dr. Augusto, que o posicionamento teológico relacional é muito mais suscetível de surgir (e muito mais confortavelmente adequado)  em uma cosmovisão arminiana, do que em uma uma calvinista. Acredito que é muito mais fácil para um arminiano abraçar o conceito e o continuar sendo do que um calvinista o fazer sem o deixar de ser.

Bem, após essa introdução gostaria de iniciar com uma carta aberta do Pastor Eros Pasquini, publicada no site Monergismo que contém um texto do Pastor Ricardo Gondim, e as subseqüentes réplicas e tréplicas. Comentários serão bem vindos.

Na Paz de Cristo,
Guilherme Parizio
Pastor Ricardo Gondim

Tsunami: Carta Aberta a Ricardo Gondim

Publicado em 20 de março de 2009 – 13:57
por Pr. Eros Pasquini
A “carta aberta” abaixo foi escrita pelo Pr. Eros Pasquini em virtude de um artigo do Pr. Ricardo Gondim (“Quem Deus ouviu primeiro”), disponível no site do mesmo, no qual ele defende a heresia do “Open Theism” [Teísmo Aberto], fazendo declarações absurdas e blasfemas a respeito de Deus.
Para ajudar o leitor, postaremos os textos na seguinte ordem:
1 – Texto do Pr. Gondim – “Quem Deus ouviu primeiro”;
2 – “Carta aberta” do Pr. Eros Pasquini;
3 – Réplica do Pr. Gondim;
4 – Tréplica do Pr. Eros Pasquini;

Nos textos do Pr. Eros, deixaremos as citações do Gondim, às quais ele faz referência, em azul, para facilitar a leitura.

1 – Texto do Pr. Ricardo Gondim:

O texto abaixo foi retirado do site do Pr. Ricardo Gondim, mas não se encontra mais disponível.
Quem Deus ouviu primeiro?
Ricardo Gondim
No domingo, 26 de dezembro, cantamos Noite Feliz, Noite de Paz. A igreja lotada com cerca de duas mil pessoas, se comovia com o coral de homens e mulheres sorridentes, vestidos de batas prateadas. Celebramos uma autêntica noite de paz. Um holofote de luz azulada se refletia nas roupas colorindo todo o ambiente de uma penumbra bucólica. Apesar do verão em nosso hemisfério, um frio tímido e gostoso nos envolvia, dando a falsa impressão de um natal europeu. Em pé, cantamos que Deus é supremo e afirmamos, de olhos úmidos, que não há outro além do Senhor.
Naquele mesmo momento, na Ásia, os primeiros raios da madrugada da segunda-feira, dia 27, iluminavam o rosto inchado de crianças boiando em charcos de lama. O domingo terminara sem nenhum coral perfilado e sem cultos em nenhuma igreja. Só ressoavam gritos de mulheres, milhares delas, que mesmo acostumadas à miséria, nunca aprenderam a aceitar a morte. Na Índia, Sri Lanka, Tailândia, Indonésia, não houve noite de paz e ninguém “dormiu em derredor”.
Deus ouvia quem? Nosso culto intimista ou o caos asiático? Ele conseguia se manter atento à nossa gratidão pela mesa farta que devoramos dois dias antes, ou se curvava ao clamor dos órfãos do tsunami? Deus percebeu nossos olhos comovidos pelo presépio improvisado por nossos filhos ou atentava ao choro da viúva solitária? Será que o Senhor considerou ridículo o sermão do pastor que naquele momento prometia, um ano novo de prosperidade e que o Todo Poderoso cumpriria os desejos de um auditório egocêntrico? Será que Deus pode ser tão perfeito que consiga separar tão perfeitamente momentos simultâneos?
Não consigo dormir faz três dias. Permaneço em estado de choque pelo que vi. Não esqueço aquela cena das pessoas num ponto de ônibus, agarradas umas às outras, gritando desesperadas por um socorro que não veio. Chorei quando a televisão mostrou o desespero de um pai desmaiado por haver presenciado o resgate do corpo de seu filho de um monturo de lixo. Não me considero um exemplo de sensibilidade, e nem minha empatia pela sorte dos desvalidos serve de modelo para a humanidade. Se eu que sou mau, não consigo continuar impassível diante de cenas tão chocantes, Deus conseguiria?
Admito que esses meus questionamentos não ajudam a dar respostas sobre uma teodicéia convincente. Sei o que os filósofos e teólogos perguntam: “Se Deus é onipotente e bom, como pôde acontecer tamanha tragédia? Se Ele é onipotente e nada fez, resta-nos pensar que não é bom. Se é bom e não tomou nenhuma iniciativa, temos que deduzir que não é onipotente”.
Alguns respondem que na sua providência eterna, Ele sabe o que faz e que seus “atos divinos” não podem ser argüidos por nós, meros vasos de desonra; Deus dá vida e mata quem quiser. Confesso que já tentei, mas cheguei à conclusão que não há nenhuma força persuasiva no universo que me convença desses argumentos. Não aceito que Deus, para alcançar seu propósito, produza um sofrimento brutal em tanta gente miserável, que não pediu para nascer na beira de uma praia paupérrima. Outros argumentam que Deus não pode ser responsabilizado por um holocausto, pelos simples fato de que não foi Ele quem colocou as pessoas pobres naquela situação de extrema miséria. Esses afirmam que embora Deus já soubesse todos os desdobramentos do terremoto, não fez nada, porque queria manifestar sua glória a um mundo rebelde. Será que a glória de Deus custa tão caro? Meu coração continua insatisfeito.
Acredito que diante duma tragédia dessa magnitude precisamos repensar alguns conceitos teológicos. Por exemplo: o que significa a palavra Soberania; o que se entende por Onipotência? Conceitos como esses significam o quê dentro dos paradigmas das ciências sociais pós-modernas? Será que não estamos insistindo em ler as Escrituras com as mesmas lentes dos medievais? Não projetamos para a Divindade as mesmas idéias que eles nutriam sobre seus reis déspotas?
Estou convencido que a teologia clássica não responde mais às indagações que nascem diante de eventos fortuitos que matam indiscriminadamente; sequer consegue lidar com a aleatoriedade quântica ou com os movimentos despropositais da natureza. Sinto que a mensagem evangélica utilitária e geradora de sentimentos ensimesmados, perdeu seu sentido, mesmo tendo dominado o cristianismo ocidental por séculos.
Admito que não há respostas fáceis. Eu não saberia como consolar os parentes das mais de sessenta mil pessoas mortas – um terço eram crianças. Porém, estou certo que precisamos rever os alicerces em que montávamos nosso edifício teológico.
Hoje sei que Deus não nos criou com o intuito de micro gerenciar todos os nossos atos. Ele não queria que formássemos sistemas religiosos em que O responsabilizaríamos por triunfos e tragédias humanas. Precisamos tomar cuidado quando afirmamos: Deus é amor! O que essa frase significa em relação à Sua ausência misteriosa? Quais as últimas implicações do Seu desejo de se relacionar com a humanidade? A não-onipotência de Jesus Cristo é semelhante à não-onipotência de Jeová?
Só uma réstia da revelação brilha em minha alma: o Deus da Bíblia soberanamente criou o universo, mas ao formar mulheres e homens, abriu mão de sua Soberania para estabelecer relacionamentos verdadeiros. Ele não se despojou de sua natureza onipotente, que por definição não podia fazer, mas se esvaziou de suas prerrogativas divinas – evidenciadas em Jesus Cristo.
Não, Ele não pôde evitar a catástrofe asiática. Assim, sinto que a morte de milhares de pessoas, machucou infinitamente mais o coração de Deus do que o meu – o sofrimento é proporcional ao amor. O pouco que conheço sobre Deus e sobre seu caráter me indica que há muitas lágrimas no céu.
Mas Deus podia e pode se fazer presente no meio da tragédia. Ele podia ter evitado muitas mortes, se déssemos ouvidos aos seus princípios e verdades e a humanidade usasse o dinheiro gasto em armas e bombas para viver num mundo mais justo. Bastava que um sistema de alarme, construído pelos homens, tivesse soado e muitas vidas teriam sido poupadas. Agora, o rosto de Deus se evidenciará nos pés e nas mãos de cada voluntário que acudir aos que choram.
Continuo perplexo diante de tudo o que nos sobreveio e sem todas repostas, mas espero que minhas intuições estejam me conduzindo no rumo certo.
Soli Deo Gloria
Pastor Eros Pasquini

2 -”Carta Aberta” do Pr. Eros Pasquini:

Gondim me assusta! Em lugar de ser um “ministro da reconciliação”, num momento crítico da humanidade, ele se constitui num “ministro da tragédia”, alguém que, em lugar de aproveitar a oportunidade para firmar nossa convicção no Deus da Bíblia, parece se fascinar em semear dúvida… como se Deus estivesse perdendo Sua soberania, Sua onipotência, onipresença, etc.!
Você gostaria de passar a eternidade com o Deus que Gondim descreve? Eu não!!
“[Deus] não pode evitar a catástrofe asiática”…
“…o Deus da Bíblia soberanamente criou o universo, mas ao formar mulheres e homens, abriu mão de sua Soberania para estabelecer relacionamentos verdadeiros”…
Desde quando um Deus Soberano é um Deus a Quem nós possamos “entender”, “explicar Seus atos”, exceto naquilo que Ele mesmo se dignou, por graça e misericórdia, nos revelar através da Bíblia e de Jesus?
“Não aceito que Deus, para alcançar seu propósito, produza um sofrimento brutal em tanta gente miserável, que não pediu para nascer na beira de uma praia paupérrima”. A Bíblia de Gondim deve estar desprovida de Romanos 9.13-24! …terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão… a Escritura diz ao faraó: “Eu o levantei exatamente com este propósito: mostrar em você o meu poder, e para que o meu nome seja proclamado em toda terra”… Quem é você, ó homem, para questionar a Deus?
“Não aceito que Deus… Quem é você, ó Gondim, para questionar a Deus? Desde quando Deus nos deve satisfação do que faz? Não é o recado claro que Deus dá a Jó (38-41)? À luz das declarações de Gondim, como ficam versículos como Jó 42.2: Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado?
É claro que eu, também, como você e como Gondim, venho assistindo a tudo, perplexo, com lágrimas nos olhos, coração inquieto, inevitavelmente recorrendo à pergunta humana e natural “por quê?”, por vezes, principalmente pelos milhares que morreram sem Cristo, e pensando em tantos de nossos irmãos que perderam tudo que possuíam e também seus queridos (os irmãos que morreram, apesar do modo, estão com Cristo!) e estão lutando, em seus corações com conceitos como Soberania, Bondade, Amor de Deus, etc. Essa luta todos temos (os da Ásia, é claro, em grau além do que possamos imaginar). Mas Deus nos deu Sua Palavra – livros como Jó, situações como a de Oséias (ordenado por Deus a casar-se com uma mulher adúltera), como a de Ezequiel [livro de inconfundível relatar da Soberania de Deus em ação, onde Deus tem a liberdade de condenar, estando igualmente livre para ser misericordioso], onde o profeta é informado pelo SENHOR que perderá a mulher e é proibido de chorar a perda (24.15-18) para poder comunicar uma mensagem clara de Deus ao povo impenitente… a Bíblia de Gondim não tem esses textos? Pior que tem…
“A não-onipotência de Jesus Cristo é semelhante à não-onipotência de Jeová?” Quando Gondim solta uma pergunta assim, ele está revelando ignorância de um “pilar” da Cristologia – a unidade hipostática (união em uma única Pessoa, das naturezas humana e divina), querendo atribuir a Deus Pai uma humanidade que não possui, ou ele está querendo minar intencionalmente a confiança das pessoas no Deus que é:
o Espírito
o Vida
o Perfeito
o Único
o Eterno
o Santo
o Transcendente
o Auto-suficiente
o Infinito
o Imutável
o Onipotente
o Onipresente
o Onisciente
o Soberano
o Fiel
o Amor
o Luz
o Verdade
o Bom
o Sábio
o Justo
o Misericordioso
o Gracioso
o Irado (contra o pecado e os ímpios)
o Perdoador
o Paciente
o Reto
o …?
“Acredito que diante duma tragédia dessa magnitude precisamos repensar alguns conceitos teológicos…. [como Soberania, Onipotência]… dentro dos paradigmas das ciências sociais pós-modernas”. Essa é MUITO inquietante! Gondim certamente já leu a respeito de uma tragédia ligeiramente maior, chamada Dilúvio, provocada por Deus para julgar a malignidade humana, ou ele acha que isso é mito? Quantos morreram naquela “tragédia”? Com certeza, mais que 155,000!
“Diante duma tragédia dessa magnitude”, ele diz, sugerindo, nas entrelinhas, que sofremos mais hoje em dia. Vejo isso como um egocentrismo simplório, como se o mundo jamais tivesse experimentado outras catástrofes: o que dizer do terremoto de Shansi, China, que em 1556 matou 830,000 pessoas? Da inundação de 1887 na mesma China, que ceifou a vida de 1 milhão de pessoas? Do ciclone que em 1997 matou 300,000 no Paquistão e Bangladesh?
Até quando vamos nos calar diante de líderes cuja cosmovisão passa primeiro pelo filtro da mente humana, interpretando a História com base no raciocínio, na observação, na experiência e na sabedoria humanos, fazendo das ciências sociais o parâmetro, forçando a Bíblia – a auto-revelação inerrante e suficiente do Deus Soberano, Criador e Sustentador dos céus e da terra e nosso Salvador/Senhor – a ter que se encaixar com o que o homem, no auge de sua arrogância, pensa? 1 Coríntios 1.18-2.5 trata disso!
” …espero que minhas intuições estejam me conduzindo no rumo certo”, diz Gondim. A Bíblia responde: O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença incurável. Quem é capaz de compreendê-lo? (Jr 17.9). Ouve quem quer!
Será que vamos assistir a esse “sutil (embora nem tanto)” ressurgimento pós-moderno da neo-ortodoxia (misturada com deísmo), calados? Infelizmente, há bastante gente em nossas igrejas que está lendo e ouvindo homens que têm esse tipo de convicção. Há líderes que estão preferindo dar ouvidos a discursos como esse a “mergulhar nas Escrituras” à busca de respostas… dá menos trabalho! Esse tipo de interpretação da História está brotando em muitos seminários outrora sérios para com a Palavra de Deus e está gerando “líderes” que têm esse discurso de um deus impotente, de um dualismo que mais parece um Luke Skywalker sendo cada dias mais vencido por Darth Vader.
Solução? Judas 3, caríssimos! precisamos batalhar pela fé de uma vez por todas confiada aos santos!
Estamos vivendo dias na igreja brasileira que se chama pelo nome de Jesus Cristo em que precisamos atentar, mais do que nunca, criteriosamente à exortação de Paulo: Pregue a Palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. (2 Tm 4.2-4).
Maranata!
Eros Pasquini

3 – Réplica do Pr. Ricardo Gondim à “Carta Aberta” acima:

Eros,
Recebi, consternado e triste, sua reação ao meu texto. Não por sua discordância, já que nenhum de nós fala “ex-catedra” sobre qualquer assunto. Porém, não estou acostumado a tanta virulência. Aliás, a essa altura de minha vida o que menos quero é vivenciar hostilidades, de qualquer espécie. Para mim, seria mais importante tê-lo como meu irmão do que um parceiro que simpatiza com minha teologia.
Ficou bastante claro que não concordamos em vários posicionamentos teológicos, mas infelizmente, não há mais clima relacional para debatermos os nossos conteúdos. Minha percepção é que você não se preocupou comigo como um irmão, mas se apressou em me rotular e me tratar como herege, que, “no auge de sua arrogância”, semeia pensamentos vãos. Fico triste que no debate de idéias, para consolidar os pontos de vista, firamos as pessoas com frases do tipo:”Gondim me assusta”; “Ele se constitui num ‘ministro da tragédia’”, “Você gostaria de passar a eternidade com o Deus que Gondim descreve?”.
Lamento que minhas inquietações tenham gerado tanta indignação em sua alma. Não, não estou querendo “minar intencionalmente a confiança das pessoas no Deus que é”. Talvez, antes de fazer uma declaração dessas, com forte conteúdo de juízo, você devesse passar algum tempo comigo para saber por onde caminha meu coração, minhas lágrimas pessoais, minhas dúvidas.
Sabe Eros? Você está corretíssimo em sua teologia, quem sou eu para negar os textos citados? Continue um paladino da ortodoxia. Defenda a fé. Confesso que não sou tão inabalável; assim, me recolho com minhas dores, procurando, na comunidade onde pastoreio, transformar meu “egocentrismo simplório”, em expressões concretas de compaixão.
Ricardo Gondim

4 -Tréplica do Pr. Eros Pasqnini:

Gondim,
Passei o dia fora, ontem, e só li seu e-mail há pouco.
Se a situação fosse inversa, eu também ficaria “consternado e triste”. Entretanto, sendo “profeta” como você também o é, a forma como você manifestou suas “lágrimas pessoais, por onde anda [seu] coração” – ou seja, publicamente - passou um recado claro: ele quer ser conhecido como quem pensa assim; e frases como “não há nenhuma força persuasiva no universo que me convença desses argumentos [que Deus age sem dar satisfação a nós]… não aceito que Deus, para alcançar seu propósito, produza um sofrimento brutal em tanta gente miserável, que não pediu para nascer na beira de uma praia paupérrima… apontam para o fato de que você aparentemente já se fechou para o que a própria Bíblia diz a esse respeito… não são bem as minhas declarações que tem “forte conteúdo de juízo”… suas declarações falam por si só: Conceitos como esses [Soberania, Onipotência) significam o quê dentro dos paradigmas das ciências sociais pós-modernas? Você mudou de cosmovisão – abandonou sua confiança na suficiência das Escrituras para colocar os paradigmas das ciências sociais pós-modernas como parâmetro para se enxergar a Deus. E quando você acrescenta: Será que não estamos insistindo em ler as Escrituras com as mesmas lentes dos medievais?, são minhas declarações que tem “forte conteúdo de juízo”, ou você não está dizendo que quem mantém sua confiança na literalidade da Palavra de Deus é retrógrado?
Se você tivesse, digamos, desafiado pessoas que vivem da Palavra, pregam a Palavra, para uma reflexão fechada, séria, de coração aberto – tipo criar um e-group só para isso – com o nome de todos citado no “Para, Cc”, eu veria isso com olhos de quem se lembra que, de vez em quando, minha cabeça também pira, e só a mulher com quem, pela graça de Deus, estou casado há quase 32 anos conhece boa parte dessas “minhas inquietações”… aí, alguns (poucos) amigos bem chegados conhecem uma parte menor dessas “minhas inquietações”… até que através da ajuda de um ou vários deles, ou de uma boa leitura de conteúdo bíblico, de uma pregação bíblica, ou através de meu próprio tempo na Palavra e oração… Deus se mostra novamente Soberano, Gracioso, Misericordioso, etc. Aí as “minhas inquietações” provam ser fruto de um homem que, conhecedor da Palavra (como você, também, o é), conhecedor de tantas bênçãos (como você, também, o é), por um descuido, tirou os olhos de Jesus. Não foi a única vez que esse “tirar os olhos de Jesus” aconteceu, mas a que mais me marcou foi quando esbravejei com Deus (punho cerrado) quando soube que meu pai estava com câncer e tinha dias contados. Não recomendo isso para ninguém, e sei que Deus não é glorificado quando temos esse tipo de atitude… mas Deus é tão gracioso e misericordioso que usou aquele momento (são passados 28 anos) para que a Soberania Dele deixasse de ser um conceito de sala de aula, guardado no intelecto, e passasse a ser “massa do meu sangue” – algo bem presente no meu coração. Deus me encheu de tanta paz e convicção que no culto de sepultamento do papai, meu texto foi: Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor; como, pois, poderá o homem entender o seu caminho? Pv 20.24.
Mas do jeito que você fez – publicamente – foi mais que “sua inquietação” … mesmo que não tenha sido sua intenção, acabou sendo “sua ‘pregação’ “! Gondim, você sabe que tem um público (grande) te ouvindo… certamente muitos que nunca passaram sequer por uma Escola Dominical, um grupo de estudo bíblico, etc. … lançar para esse tipo de público “suas inquietações”, você me deixou alguma outra alternativa?
Entretanto, acreditando na sinceridade* de suas declarações abaixo, dando-lhe, portanto, o benefício da dúvida, e isso aliado ao acima exposto, talvez eu tenha deixado de lado uma provável alternativa… ao dizer o que você disse, da forma que disse, e para quem disse… você agiu, espiritualmente falando, com irresponsabilidade (precipitação), em lugar de ter intenção errada. E se esse for o caso, o tempo dirá, e eu serei o primeiro a reconhecer que errei na minha análise.
Encerro pedindo que você leia o artigo anexo: vem de um obreiro da HCF -Hospital Christian Fellowship, no Sri Lanka, que ao contrário de nós dois, está vivendo na pele o drama que nós só vimos à distância. Quando li, fiquei envergonhado de chegar a “pirar” por motivos tão menores, comparativamente insignificantes. Espero que faça bem ao teu coração*.
Eros

-O Anexo:

Tradução da carta disponível na internet (sem revisão)
Disseram-me: Os restantes, que não foram levados para o exílio e se acham lá na província, estão em grande miséria e desprezo; os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas queimadas a fogo. Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus”.
Neemias 1: 3 e 4
Saudações no nome de Jesus.
Deus é Bom! Deus é Gracioso! Deus é Generoso! Deus é Ótimo!
Obrigado
Muito obrigado por todas as expressões de amor e preocupação e cuidado para conosco e com todas as nações que foram atingidas pelas ondas do maremoto. O que uma devastação tem causado! Obrigado também por toda a ajuda prática enviada. Por favor, nos perdoe pela demora em responder. Eu estava em Batticaloa, uma das piores áreas atingidas, executando apoio médico.
Essa manhã, enquanto lia as muitas cartas que recebemos, chorei. Elas me tocaram profundamente. OBRIGADO! O amor e orações de vocês curaram meu enfraquecimento e meus sentimentos internos.
Colegas do Hospital Christian Fellowship
Alguns de vocês perguntaram sobre nossas colegas. Sim, alguns de nossos caros amigos perderam alguns de seus queridos. Uma doutora perdeu sete de sua família, incluindo os pais. Outro perdeu cinco membros de sua família. Muitos crentes também morreram. Um pastor, enquanto ajudava as pessoas mais velhas de sua igreja, perdeu a esposa e dois filhos. Deus está os confortando. Muitas crianças também morreram. Há muitos outros bastante afetados.
Situação
Estamos muito preocupados com a terrível destruição da Sumatra, Índia, Andaman, Myanmar, Tailândia, Malásia, Maldivas e outros lugares. Aqui no Sri Lanka, o número de mortos continua crescendo. É maior do que ouvimos ou esperamos. Muitos estão desaparecidos e corpos continuam a serem descobertos.
Há 750 centros de refugiados e muitos estão desabrigados. Os auxílios terão que ser bem coordenado a curto e longo prazo. Levará muito tempo para escrever as histórias de destruição de vidas e casas, etc. e também as surpreendentes histórias de sobreviventes. Deus estava bem presente em todas elas apesar do horror.
As pessoas ainda estão meio estupefatas e chocadas. Há luto e lágrimas e um senso de desesperança e choque. A Igreja no Sri Lanka está realmente agindo com compaixão e cuidado.
Auxílio
Estamos envolvidos com o auxílio médico e trabalhando na coordenação com a Aliança Evangélica Nacional do Sri Lanka (afiliada a WEF). Foi muito tocante ministrar a centenas de refugiados e também ministrar ao Corpo de Cristo nessas áreas. Pudemos ver como a palavra de Deus causou tanto impacto e os animou. É muito difícil saber como coordenar, apesar disso Deus está ajudando.
Obrigado de novo pela vontade de muitos de virem aqui. Hoje o governo disse que há médicos estrangeiros o suficiente e que equipes médicas terão que ser registradas. Ainda procuramos clareza nisso. Ainda acreditamos que há uma enorme necessidade, mas é preciso sabedoria para coordenar isso através de centros baseados nas igrejas.
Promessas
Em meio a tudo isso Deus está dando promessas para o futuro. Na noite do dia 31 eu estava pensando que era provavelmente a primeira vez em 40 estanhos anos que eu não ia a um culto de véspera de ano novo. Mesmo assim vieram esses pensamentos:
2005 – Um ano do favor do Senhor.
a) 1 hora de maremotos que causou destruição. “Senhor, que esse ano seja cheio com ondas após ondas da graça de Deus e Sua amorosa bondade”.
b) Um severo terremoto – “Senhor, mande um terremoto espiritual às nações, um verdadeiro avivamento espiritual”.
c) Morte e destruição – “Senhor, nos mande vida em abundância”.
d) Tristeza e luto – “Senhor, nos dê um ano de alegria. Oh! Por um ano do favor do Senhor”.
Também estamos alertas sobre a segunda vinda de Cristo. Como repentinamente as coisas acontecem, devemos falar mais sobre a sua segunda vinda e vida com valores eternos em mente. Ele já está voltando!
Jeová Jireh
Deus observará isso!
Deus será visto!
Deus tornará isso claro!
Não agora, mas nos dias futuros, algum dia, de alguma maneira, iremos entender.
Em nossa viagem para o Oriente, eu fui secretamente e surpreendentemente tocado por como Deus provê. De pessoas a veículos, a acomodações, a remédios, a refeições, a aberturas, a finanças. Foi simplesmente muito, muito precioso.
Sim, Ele é Jeová Jireh! E Ele tem dado a maior provisão para a maior necessidade de todas, JESUS!
Também, enquanto ministramos àqueles que estavam de luto, os seguintes pensamentos vieram à minha mente.
Jesus é o Homem de dores – Então Ele pode confortar os feridos.
Jesus morreu e conquistou a morte – Então Ele pode nos fortalecer em face à morte e remover o medo dela.
Ele é a Luz – Então Ele pode iluminar a nossa escuridão.
Ele é o Deus da Aliança. Êxodo 34 : 5 e 6 – Ele julga o pecado até a terceira e quarta geração. Mas sua misericórdia é 250 vezes mais, a mil gerações.
Também para as crianças que morreram e foram arrastadas, o Senhor irá levantar uma jovem, santa geração, os nazireus.
Aquele que não poupou a seu próprio filho, antes por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?“.Romanos 8:32
Ore por sabedoria para saber como coordenar as coisas aqui com respeito ao trabalho médico.
Obrigado de novo por toda essa expressão de amor, preocupação e ajuda.
Com muito amor,
Arul & Ranji & Família da HCF

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Marcas







"À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles"- Isaías 8:20



Por Guilherme Parizio


Devemos ter um ministério especifico para as chamadas seitas? Há bem pouco tempo alguns de nossos mais destacados teólogos acreditavam que sim. Livros, periódicos e até ministérios foram erguidos visando dirimir o avanço desses movimentos. Até porque, como dizia Van Baalen: "As seitas são as contas vencidas da igreja"1.

Essa tarefa parece que não tem mais lugar na igreja atual. Temos mêdo de parecer intolerantes e fanáticos. Não queremos nos comprometer com uma obra onde a polêmica parece ser a tônica. Preferimos, como recomenda Erickson, uma "exposição positiva da verdade"2 (ver, nesse mesmo blog, o artigo "Onde estão os apologistas?").

Concordo totalmente com essa posição, endosso e assino embaixo. Eu mesmo fui ganho para Cristo dessa forma. Só que eu não fazia parte de nenhuma seita (pelo menos não nessa época, mas isso já é outra história).
Acredito que da mesma forma que O Espírito Santo distribui diferentes dons para diferentes tarefas aos membros do corpo de cristo, que é a igreja, do mesmo modo (não tenho a menor dúvida) de que diferentes pessoas tem de ser alcançadas através de diferentes métodos. Alguém que porventura esteja lendo esse texto já tentou evangelizar um testemunha de Jeová usando o método tradicional de abordagem evangelística? Se já, muito provalmente não deve ter tido êxito (a não ser que alguma manifestação sobrenatural tenha ocorrido e o TJ tenha caído aos pés do Mestre ali mesmo!).

Nos últimos anos temos dado muita ênfase as missões transculturais, o que é muito apropriado, pois a vocação da igreja é mundial. Os primeiros cristãos entenderam isso e cada um era um missionário em potencial. Contudo, antes de irem até os confins da terra os apóstolos e demais discípulos pregaram na Judéia e em Samaria!


Claro que estou usando uma linguagem metafórica. Não estou de maneira alguma dizendo, como já vi alguns afirmarem, que devemos primeiro ganhar nossa própria nação para Cristo para só assim partimos para outras terras, longe disso. Só estou redarguindo que não podemos fazer uma coisa em detrimento da outra. A igreja tem por prioridade ganhar os perdidos. Logo, afirmo: um mórmon, testemunha de Jeová ou espiritista é tão perdido quanto um mulçumano, hinduísta, budista ou animista! Se para irmos ao campo missionário presisamos nos preparar, conhecer a cultura, os fundamentos religiosos do povo que pretendemos alcançar, o mesmo princípio deve ser usado para atingirmos os sectários e sermos bem sucedidos na sua evangelização, pois eles vivem numa verdadeira subcultura religiosa, sob a mais poderosa opressão mental, e dentro de um legalismo terrível. Pregar para os sectários é fazer missões!


Sei que as ultimas palavras que proferi foram fortes. Mas, longe de serem arrogantes, são palavras de misericórdia e amor. Sei que nesses movimentos existem pessoas honestas, de boa indole, caridosas, etc.. Mas isso não é suficiente para demonstrar o caráter salvifico desses movimentos, ou a indiferença do Criador em relação a esse relativismo religioso. Devemos sempre ter em mente que muitas delas agem assim não por serem membros desses movimentos, mas apesar desse fato. Deus nos deu paradigmas para identificar tanto práticas pessoais como igrejas bíblicas e doutrinas heterodoxas (Isaías 8:20). Não entra aqui a questão teológica de igreja visível e invisível.

Não podemos tampar o sol com a peneira e fingir que os adeptos de seitas estão salvos. Sei que parece arrogância e sei também que no nosso meio pessoas se comportam de maneira tão mundana que na maioria das vezes os sectários parecem ser os legítimos representantes de Cristo, o verdadeiro povo de Deus. Isso é fato. Mas é igualmente fato que eles negam doutrinas basilares da fé, como a Trindade, a divindade do Espírito Santo... E ensinam doutrinas estranhas como o batismo pelos mortos (por procuração), a salvação pelas obras meritórias e a reencarnação, entre outras. Práticas que além de serem inúteis são anti-bíblicas pelos seguintes fatos:


1-Elas negam a cruz de Cristo ao colcarem outro fundamento além do sacrifício vicário do Filho de Deus em nosso favor.


2-Elas contrariam diretamente as ordenanças estabelecidas pelo Criador e Legislador do universo.


3-Elas não dão segurança ao crente, pois estão baseadas em ensinamentos de homens e não alicerçadas na palavra de Deus.


Somos os donos da verdade? De maneira nenhuma. Então, como sabemos? Temos um livro guia. Eles também o possuem. Correto, mas se colocam acima dele quando o amordaçam com seus pressupostos doutrinários. Esse foi o erro da igreja medieval: não deixar a palavra falar sozinha. Esse é o nosso erro, quando atrelamos a palavra a práticas estranhas. Nosso, de nossas igrejas ditas ortodoxas! Não, não somos os donos da verdade, antes a verdade tem que nos possuir. A igreja tem marcas, as seitas também. Nós devemos decidir com quais iremos nos apresentar diante de Deus.







domingo, 23 de agosto de 2009

Tele Evangelismo: Ajuda ou Atrapalha?

Por Guilherme Parizio

Nos dias atuais, onde a frequência ao templo parece cada vez mais restrita ao domingo à noite, surgiu uma figura que amiúde se faz presente na vida das pessoas: o tele-evangelista. Se bem que esses tipos não são novidade em nosso meio, pois cada geração de crentes teve o seu tele-evangelista da hora (quem não lembra de Nilson Fanine, Caio Fábio, Valnice Milhomens, etc.). O modelo na verdade começou (para não fugir à regra) nos Estados Unidos, onde homens como Oral Roberts e Pat Robertson faziam sucesso na telinha da terra do Tio Sam. Correndo por fora vinha Jimmy Swergart que era um legitimo Assembleiano ao estilo americano, mas que não ficou atrás no quesito "escandalo sexual". Nisso ele foi, se não "our-concour", com certeza, primeiro lugar absoluto.Mas o que temos em pauta aqui é o legitimo tele-evangelismo tupiniquim, com seu neo-pentecostalismo almagamado com com o "modo brasileiro de vida". Representantes como R.R.Soares, Silas Malafaia, Balarin, toda a turma da Univer$al, o pessoal da Igreja "Mundial do Poder de Deus" (qualquer semelhança com a igreja do Edir não é mera coincidência, é discidência), sem falar nos locais. Mas tá todo mundo na mídia. Alguém já disse que quem não está na mídia não existe (mas acho que ouvi essa frase de um publicitário...). Até nossos pastores mais conservadores já fizeram uma incursãozinha na mídia. Pastor Welington é nosso representante mais destacado, só presisa melhorar um pouco o carisma (Se Malafaia não fosse da oposição podia dar umas aulas). Mas chega de divagação e vamos ao que interessa: Esses pastores da mídia ajudam a igreja e o reino ou atrapalham? Se ajudam, quais as contribuições mais destacadas? E se atrapalham, onde eles mais tem dado bola fora? Essa exposição trás mesmo beneficios para a igreja? Não quero e nem pretendo esgotar o assunto aqui nessa postagem, por isso opinem.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A Religião Vermelha

Por Guilherme Parizio

Se eu pedisse a qualquer pesoa um pouco informada sobre assuntos religiosos que me citasse o nome de uma religião que promete o paraíso na terra e o fim das desigualdades entre os homens num reino de paz para sempre, muito provavelmente a resposta seria: "OsTestemunhas de Jeová". Poucos associariam esses conceitos a um grupo eminentemente anti-teísta e que sistematicamente perseguiu e eliminou grupos religiosos do território que dominou por três quartos de século.

Estou me referindo a uma religião que dominou um país de proporções continentais e rivalizou com o cristianismo num periódo de 74 anos na Rússia e nas demais regiões que nessa época eram conhecidas pelo nome de "União Soviética". Ou o amigo(a) não sabia que de certo modo o chamado "Marxismo-Leninismo" incorporava elementos religiosos em seu bôjo? Se Está disposto a conhecer alguns desses elementos, lhes convido a ler as próximas linhas que preparei para serem debatidas.


Antes que algum irmão mais "progressista" me tache de reacionário, quero deixar bem claro que só abordei esse tema pelo simples motivo de que sempre simpatizei com as idéias de esquerda mas não posso deixar de admitir que o sistema que foi implantado na antiga União Soviética além de desumano, foi incompetente. Ao escrever essas linhas não tive outra intenção se não fazer um pequeno esbôço de um aspecto que considero fundamental nesse sistema, o religioso, ainda que os teóricos do movimento neguem que o sistema traga em si esse elemento.


Realmente, o marxismo-leninismo propaga, como já foi salientado acima, uma emancipação dos conceitos metafísicos e de qualquer esperança extra –túmulo. Isso não quer dizer que os mesmos não tenham incorporado ao sistema, ainda que de forma inconciente, rituais consagradas pela religião. E não só isso, houve mesmo uma “teologia” e uma mística marxista, coisa que podemos sentir não só nos escritos dos fundadores como em seus posteriores propagadores, ainda que a palavra “Deus” não esteja lá, a não ser de forma negativa. Não importa: a religião vermelha existiu, com todo seu aparato comprado aos das grandes religiões do mundo.





O homem tem um vazio em forma de Deus, e só Ele pode preenchê-lo. Todo sistema, ideologia ou coisa parecida que não considere essa verdade tende ao fracasso.


Deus: O estado

Diferente das tradições religiosas conhecidas a “teologia” comunista não tem um Deus pessoal como objeto de adoração. Tal Deus, segundo eles, é uma ilusão alienante que escraviza o homem e o impede de lutar pela libertação dos povos do jugo capitalista. Esse Deus além de inútil é pernicioso. Não há lugar para ele no mundo da religião vermelha. Deve ser rejeitado e combatido. Em seu lugar se ergue o Estado, com seu poder absoluto de vigiar e cuidar da sociedade. Nada nem ninguém está fora do seu poder. Nenhuma instituição pode fugir de seu controle.
Para que haja respeito pelo estado o mesmo deve ser temido e admirado. Um verdadeiro “culto” deve ser prestado a ele e uma complexa liturgia deve ser desenvolvida. O povo terá o vazio deixado pelos ídolos metafísicos preenchido por esses espetáculos públicos que devem embebecer os sentidos para impedir que o Deus destronado não tente se revolver em seus corações. Parece que esse foi o quesito em que eles mais foram incompetentes, haja visto as notícias que as agências missionárias recebiam constantemente nessa época.



O Profeta e Legislador: Karl Marx

Foi aquele visionário que primeiro teve a "luminosa" idéia de um mundo onde todos teriam os mesmos direitos e oportunidades sem ricos nem pobres, patrões ou empregados, ou seja , o céu (chamado por eles de sociedade sem classes) e onde um unico Deus (estado) seria senhor absoluto de corações e mentes (para o bem de toda essa nova socidade).



O Messias: Lênin


O grande salvador e libertador do povo russo, e por quer não dizer, de todo aquele que aceitasse sua proposta de libertação. De qualquer forma todas as pessoas iriam aceitar essa proposta mais cedo ou mais tarde (querendo ou não) pois a tendencia natural da história e o destino final da humanidade era se tornar um paraíso comunista.


O Papa: Stalin

Após a morte do messias (que não ressussitou, obviamente) foi nescessário a eleição de um vigário para conduzir os fiéis no caminho da ortodoxia vermelha, pois muitos hereges, como veremos a seguir, já estavam se insurgindo contra a "sã doutrina" pregada pelos profetas e postas em prática pelo messias, que , diferentemente do da tradição cristã, deixou muitos escritos para que o povo não se desviasse.
O papa manteve a ordem e excomungou muitos hereges, como Trotsky, que foi executado pela inquisição vermelha.


A Sé apostólica: O Kremlin

Todo papa presisa de uma sé e não foi diferente com Stalin. O Kremlin se prestou perfeitamente a essa função. De lá ele comandou com mão de ferro todo império vermelho (União Soviética) e influenciou de forma poderosa outras regiões mais distantes onde essa forma de religião era professada (p.ex: Cuba, China...)


A Catequese: A doutrinação

Era feita a partir da mais tenra idade. Era intensiva (através da doutrinação) e ostensiva (através da propaganda).
Literatura contrária à doutrina era expressamente proibida, e só poderia ser lida por especialistas com o intuito de ser analisada e refutada.


As Cruzadas

Essa modalidade de expressão religiosa não poderia faltar a religião vermelha. Os combatentes da fé se enpenhavam ao máximo para converter os "pagãos" a sua religião (caso contrário, pelotões de fuzilamento, deportações para sibéria...)


Os Hereges

O caso emblemático foi o de Trotsky que mesmo sendo um apóstolo da religião, não foi poupado para dar o exemplo e não contaminar a fé dos fiéis.


A Inquisição

Interrogatórios, denúncias e execuções eram comuns no mundo vermelho. Eram armas constantemente usadas pelos homens do Kremlin.


A Bíblia

A religião vermelha era uma religião altamente escriturística com suas escrituras sagradas como regra de fé e prática valendo para todos os fiéis. Seus principais escritores "sacros" eram Marx, Engels e Lênin, por isso o sistema também é chamado de “marxismo-leninismo”.


Os perdidos

Eram todos os não-vermelhos, principalmente um povo que se intitulava cristão e obstinadamente teimava em não se curvar a liberdade que lhes era oferecida, mesmo a custa de sua própria vida. O mais incrível era que muitos dos que professavam a religião vermelha ao presenciarem tais atos de insubordinação também se tornavam cristãos e, apesar da perseguição sistemática, núcleos do cristianismo proliferavam a cada dia não só na Rússia mas em todos os países satélites(era a chamada igreja subterrânea).


A Escatologia

A religião vermelha cria que em um futuro próximo, após um período de choque entre as potências mundias um novo mundo iria surgir, sem explorados e exploradores, sem classes sociais, onde Deus (estado) seria o único senhor, como foi profetizado por Marx.




Segundo alguns, muitos fiéis remanescentes ainda estão por aí , nos mais diferentes lugares do mundo, ainda que alguns professem um forma heterodoxa da doutrina.
Muitos deles esperam um advento glorioso, principalmente nesses últimos tempos de crise global: são os profetas vermelhos. O tempo dirá se esses resignados combatentes voltarão a ver o sistema em sua total glória passada

Neopaganismo Evangélico


Por JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI

Teologia pentecostal se afasta da tradição judaico-cristã ao atribuir ao mal uma potência independente de Deus e dos homens


JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI

Colunista da Folha

Estava passeando pela TV quando dei com um culto da Igreja Mundial do Poder de Deus. Teria rapidamente mudado de canal se não tivesse acabado de ler o interessante livro de Ronaldo de Almeida, "A Igreja Universal e seus Demônios – Um Estudo Etnográfico" [ed. Terceiro Nome, 152 págs., R$ 28], que me abriu os olhos para o lado especificamente religioso dos movimentos pentecostais. Até então, via neles sobretudo superstição, ignorando o sentido transcendente dessas práticas religiosas.

No culto da TV, o pastor simplesmente anunciou que, dado o aumento das despesas da igreja, no próximo mês, o dízimo subia de 10% para 20%. Em seguida, começou a interpelar os crentes para ver quem iria doar R$ 1.000, R$ 500 e assim foi descendo até chegar a R$ 1.

Notável é que o dízimo não era pensado como doação, mas simplesmente como devolução: já que Deus neste mês dera-lhe tanto, cabia ao fiel devolver uma parte para que a igreja continuasse no seu trabalho mediador. Em suma, doar era uma questão de justiça entre o fiel e Deus.

Em vez de o salário ser considerado como retribuição ao trabalho, o é tão só como dádiva divina, troca fora do mercado, como se operasse numa sociedade sem classes. Isso marca uma diferença com os antigos movimentos protestantes, em particular o calvinismo, para os quais o trabalho é dever e a riqueza, manifestação benfazeja do bom cumprimento da norma moral.

Se o salário é dádiva, precisa ser recompensado. Não segundo a máxima franciscana "é dando que se recebe", pois não se processa como ato de amor pelo outro. No fundo vale o princípio: "Recebes porque doastes". E como esse investimento nem sempre dá bons resultados, parece-me natural que o crente mude de igreja, como nós procuramos um banco mais rentável para nossos investimentos.

O crente doa apostando na fidelidade de Deus. Os dísticos gravados nos carros, "Deus é fiel", não o confirmam? Mas Dele espera-se reciprocidade, graças à mediação da igreja, cada vez mais eficaz conforme se torna mais rica. Deus é pensado à imagem e semelhança da igreja, cujo capital lança uma ponte entre Ele e o fiador.



ANTICALVINISMO
Além de negar a tradicional concepção calvinista e protestante do trabalho, esse novo crente não mantém com a igreja e seus pares uma relação amorosa, não faz do amor o peso de sua existência.

Sua adesão não implica conversão, total transformação do sentido de seu ser; apenas assina um contrato integral que lhe traz paz de espírito e confiança no futuro. Em vez da conversão, mera negociação. Essa religião não parece se coadunar, então, com as necessidades de uma massa trabalhadora, cujos empregos são aleatórios e precários?

Outro momento importante do livro é a crítica da Igreja Universal ao candomblé, tomado como fonte do mal. Essa crítica não possui apenas dimensões política e econômica, assume função religiosa, pois dá sentido ao pecado praticado pelo crente. O pecado nasce porque o fiel se afasta de Deus e, aproximando-se de uma divindade afro-brasileira, foge do circuito da dádiva. Configura fraqueza pessoal, infidelidade a Deus e à igreja.

Nada mais tem a ver com a ideia judaico-cristã do pecado original. Não se resolve naquela mácula, naquela ofensa, que somente poderia ser lavada pela graça de Deus e pela morte de Jesus, mas sempre requerendo a anuência do pecador.

Se resulta de uma fraqueza, desaparece quando o crente se fortalece, graças ao trabalho de purificação exercido pelo sacerdote. O fiel fraquejou na sua fidelidade, cedeu ao Diabo cheio de artimanhas e precisa de um mediador que, em nome de Deus, combata o Demônio. O exorcismo é descarrego, batalha entre duas potências que termina com a vitória do bem e a purificação do fiel.



PAGANISMO
Compreende-se, então, a função social do combate ao candomblé: traduz um antigo ritual cristão numa linguagem pagã. Os pastores dão pouca importância ao conhecimento das Escrituras, servem-se delas como relicário de exemplos. Importa-lhes mostrar que o Diabo, embora tenha sido criado por Deus, depois de sua queda se levanta como potência contra Deus e, para cumprir essa missão, trata de fazer o mal aos seres humanos.

O mal nasce do mal, ao contrário do ensinamento judeu-cristão que o localiza nas fissuras do livre-arbítrio. Adão e Eva são expulsos do Paraíso porque comeram o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e assim se tornam pecadores, porque agora são capazes de discriminar os termos dessa bipolaridade moral.

Essa teologia pentecostal se aproxima, então, do maniqueísmo. Como sabemos, o sacerdote persa Mani (também conhecido por Maniqueu), ativo no século 3º, pregava a existência de duas divindades igualmente poderosas, a benigna e a maligna. Isso porque o mal somente poderia ter origem no mal. A nova teologia pentecostal empresta o mesmo valor aos dois princípios e, assim, ressuscita a heresia maniqueísta, misturando o cristianismo com a teologia pagã.


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JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI é professor emérito da USP e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Escreve na seção "Autores", do Mais!.

domingo, 2 de agosto de 2009

Maçonaria e Protestantismo Brasileiro Parte II


Estou publicando este artigo, de autoria desconhecida, cuja fonte é a página da "Benémerita Loja Antonio João Nº 5" como complemento ao meu artigo sobre maçonaria. Meu único intuito é informar. Não endosso o posicionamento do autor quando ele afirma coisas como "Inúmeros outros Homens de Fé, verdadeiros cristãos, inclusive batistas de relevância na Denominação, têm sido maçons sem encontrar incompatibilidades entre a Fé Cristã e a prática Maçônica". Não consigo ver essa compatibilidade e causa-me estranheza saber que líderes eminentes no nosso meio tem ocupado posições de destaque na confraria.

Ficando bem clara minha intenção, aqui vai o artigo.


ESTATUTOS

Em 1723 foi publicado o primeiro estatuto da novel organização (A Grande Loja de Londres) conhecido mundialmente como "Constituições de Anderson", por ter sido compilada e redigida pelo Rev. Presbiteriano James Anderson (1680-1739). Outros dizem ser as "Constituições" obra. de seu prefaciador, o Rev. Anglicano João Teófilo Desaguliers (1683 - 1744) de família huguenote francesa que emigrou para a Inglaterra após a revogação do Édito de Nantes.

INFLUËNCIA PROTESTANTE

É inegável que a Maçonaria Moderna foi organizada sob influencia protestante. Os redatores do primeiro Estatuto (Anderson e Desaguliers) por suas crenças, não poderiam deixar de introduzir princípios evangélicos na nova organização, principalmente devido ao fim a que ela se destinava. Provavelmente devido a tais princípios, a Maçonaria se desenvolveu muito nos países onde predominava a influencia protestante (Inglaterra. Alemanha e América do Norte), propagando-se depois para o resto do mundo.*

A MAÇONARIA E OS BATISTAS NO BRASIL

Os emigrados dos EUA que se estabeleceram em Santa Bárbara em São Paulo fundaram em 10/09/1871 a Igreja Batista em Santa Bárbara (4. pg. 230), a primeira Igreja Batista estabelecida em solo brasileiro (Pr. Richard Ratcliff), fundaram também em 1874 a Loja Maçônica "George Washington" (4, pg. 44), onde se encontravam cerca de oito batistas sendo que pelo menos cinco deles foram também fundadores da Primeira Igreja, entre eles estava o Pr. Robert Porter Thomas .

O Pr. Thomas foi interino por diversas oportunidades tanto na Primeira Igreja quanto na Igreja da Estação (2a), fundada em 02/11/1879 (Pr. Elias Hoton Quillin). O pastorado interino do Pr. Thomas nas duas Igrejas somou cerca de 25 anos de profícuo trabalho, sendo o que mais tempo pastoreou tais Igrejas.

Em 12/07/1880, a pedido da Igreja da Estação, foi formado um Concílio reunindo as duas Igrejas, para Recepção e Consagração ao Ministério do Irmão Antônio Teixeira de Albuquerque, tendo sido batizado pelo Pr. Thomas. Foi moderador do Concílio que se realizou no salão da Loja Maçônica, o Pr. Ouillin, conforme se descreve na carta subscrita pelo moderador e pelo secretário do Concílio (4, pg. 249 - tradução e pg. 407 fac-símile do original) ao Foreign Mission Board of fhe Soufhern Baptist Convention (Richmond, VA., U. S.A. ).

Destaco o fato curioso de que o Primeiro Pastor Batista Brasileiro, além de ter sido batizado por um Pastor que era Maçom foi ainda consagrado ao Ministério da Palavra no salão da Loja Maçônica.

É importante recordar que a Igreja em Santa Bárbara era uma igreja missionária. Foi ela que insistiu e conseguiu, que a "Junta de Richmond" nomeasse missionários para o Brasil, estabelecendo-se então em Sta. Bárbara a "Missão Batista no Brasil". O primeiro missionário foi o Pr. Ouillin (1878), com sustento próprio. Seguiram-se, sustentados pela "Junta": Bagby (1880), Taylor (1882), Soper (1885), Putheff (1885) e outros sendo que Bagby, Soper e Putheff foram pastores da Igreja em Sta. Bárbara, que tinha entre seus membros, um expressivo grupo de maçons

Em 1921, Salomão Luiz Ginsburg, Missionário da Junta de Missões Estrangeiras de Richmond, publicou o seu livro "Um Judeu Errante no Brasil ", sua autobiografia. Encontra-se em algumas partes de seu relato a descrição de sua condição de Maçom (5, pg. 82 e 83 ).**

Da imensa obra de Ginsburg desejo destacar poucos tópicos. Foi Ginsburg o editor do primeiro Cantor Cristão (16 hinos) em 1891 e na edição atual do referido Cantor ele aparece como Autor ou Tradutor de 102 hinos. Destaco ainda, conforme nos informa o Pr. Ebenezer Soares Ferreira (veja O Jornal Batista nº 30 de 24/07/94), Ginsburg foi o fundador, na cidade de São Fidélis no Estado do Rio de Janeiro, da Loja Maçônica Auxílio à Virtude (02/07/1894) e da "Egreja DE CHRISTO, CHAMADA BATISTA" (27/07/1894). que foi a primeira Igreja Batista em São Fidélis Segundo o mesmo autor (9, pg. 64), o primeiro Templo Batista construído no Brasil, foi o da Primeira Igreja Batista de Campos, edificado sob o pastorado de Salomão Ginsburg e com a colaboração financeira dos Maçons.

O Pastor José de Souza Marques, que foi Presidente da Convenção Batista Carioca e da Convenção Batista Brasileira, tendo em 1940, na Convenção da Bahia, organizado a Aliança dos Pastores Batistas Brasileiros, que mais tarde tomou o nome de Ordem dos Ministros Batistas do Brasil, permanecendo em sua Presidência até 1962, cujo fruto todos conhecem, exerceu cargos importantes na administração maçônica, tendo sido inclusive presidente, por muito tempo, do Supremo Tribunal de Justiça Maçônica. Ainda hoje, a única foto existente no Salão do Conselho do Palácio Maçônico do Lavradio, é a do Pr. Souza Marques. No mesmo Palácio, a sala de Tribunal de Justiça tem o nome de José de Souza Marques. Foi também Membro Efetivo do Supremo Conselho do Brasil para o Rito Escocês Antigo e Aceito, encontrando-se em sua sede em exposição, um retrato pintado a óleo do Pastor Souza Marques.

Inúmeros outros Homens de Fé, verdadeiros cristãos, inclusive batistas de relevância na Denominação, têm sido maçons sem encontrar incompatibilidades entre a Fé Cristã e a prática Maçônica. ***

OS ADVERSÁRIOS DA MAÇONARIA

Existem pessoas que têm razões para se oporem à Maçonaria. Todos os que defendem princípios contrários aos princípios maçônicos são adversários da maçonaria. Entre tais destacamos: Os Papas da Igreja Romana, os sectários contrários ao livre arbítrio, os totalitários (nazistas, comunistas, membros da TFP e outros); os fanáticos e muitos outros.

A perseguição aos Maçons, devido aos princípios que defendem, é antiga. O primeiro documento encontrado combatendo a Maçonaria é uma Capitular de Carlos Magno do ano de 779, proibindo a reunião de Guíldas. As autoridades laicas alegavam que os associados se reuniam em banquetes periódicos a fim de se entregarem ao vício da embriaguez, e as autoridades eclesiásticas afirmavam que a perseguição que moviam contra as Guildas era por causa do juramento. Diziam-se preocupadas pela salvação da alma do jurador no caso dele perjurar-se. Na realidade, tentavam com semelhantes pretextos especiosos, impedir o funcionamento das Gui1das temidas politicamente (8, pg. 46).

A perseguição dos Papas da Igreja Romana contra a Maçonaria começou pela edição da Bula "II Eminenti" (6, pg. 379) em 28 de abril de 1738, por Clemente XII e até 1907 seguiram-se mais 25 documentos entre "Bulas", "Encíclicas" e outros, de ataque à Maçonaria.

Em 18/05/1751, o papa Bento XIV publicou a Bula "Providas" (6, pg. 381), onde, referindo-se à "II Eminenti", declarou: "Finalmente, entre as causas mais graves das supraditas proibições e ordenações enunciadas na constituição acima inserida a primeira é: Que nas sociedades e assembléias secretas, estão filiados indistintamente homens de todos os credos; daí ser evidente a resultante de um.grande perigo para a pureza da religião Católica."

Seguem-se mais cinco causas; proclamando-se contra a obrigação do segredo, a forma de compromisso, a liberdade de reunião e outras. Conclama os Bispos, Superiores, Prelados e Ordinários, a não deixarem de solicitar o poder secular, para a execução das referidas regras.

Foi assim decretada a "Inquisição" contra os Maçons, pela oposição papal à Instituição, com as conseqüências que a história amplamente registra. Outros cristãos têm se manifestado contra a Maçonaria; os Neopentecostais, os Fundamentalistas modernos os Cismáticos e outros.****

É interessante notar que as causas de oposição dos modernos adversários dos maçons são muito antigas, são as mesmas utilizadas pelos papas na antiguidade.

Entre os cismáticos devemos destacar o Ex. Ministro presbiteriano Eduardo Carlos Pereira, que no início do século, com a oposição aos Maçons dentro da Igreja Presbiteriana, conseguiu separar-se com seus seguidores estabelecendo a Igreja Presbiteriana Independente. O tema tem sido tratado em muitas Igrejas, sempre visando provar que a Maçonaria é Seita ou Religião, para poderem assim combatê-la com facilidade no meio Cristão. O maçom Rev. Presbiteriano Jorge Buarque Lyra, respondeu à altura as questões postas por Eduardo Pereira".

NOTAS

* Bruno de Bonis é cristão evangélico, diácono da Igreja Batista do Méier, no Rio de Janeiro, membro ativo da Loja Maçônica Trabalho e Liberdade n° 1391, filiada ao Grande Oriente Estadual do Rio de Janeiro (GOB).

** Salomão Luiz Ginsburg fundou, em 1902, o Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, o qual, no próximo ano estará comemorando o seu Centenário, inclusive com a realização da Assembléia Anual da Convenção Batista Brasileira nesta Cidade do Recife como parte da efeméride. Salomão Ginsburg toi membro da "Duke de Clarence Lodge°, na Cidade de Salvador, da , Restauração Pernambucana, em Recife e, na jurisdição da Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo é patrono da Loja nº 3 - Loja Salomão Ginsburg.

*** David Mein, reitor do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, durante quarenta anos, Pastor da Igreja Batista do Cordeiro (segunda Igreja Batista fundada na Capital), Presidente da Convenção Batista Brasileira em várias oportunidades, foi maçom atuante, membro da Loja Cavaleiros da Cruz.

**** A obra "Antimaçonaria e os Movimentos Fundamentalistas do Fim do Século XX". de autoria de Descartes de Souza Teixeira, cristão batista, maçom ativo, membro da Grande Loja Maçônica de São Paulo, traça um perfil detalhado dos movimentos antimaçônicos entres os evangélicos.

REFERËNCIAS BIBLIOGRAFICAS

1 - Aslan, Nicola, A Maçonaria Operativa, Editora Aurora Ltda, Rio de Janeiro (RJ), 1979.

2 - Constituições dos Franco-Maçons de 1723 (As), Reprodução do original e tradução de João Nery Guimarães, Editora A Fraternidade, São Paulo (SP), 1982.

3 - Autores Diversos, O Cantor Cristão, JUERP, Rio de Janeiro (RJ), 1971,4a. edição com música.

4 - Oliveira, Betty Antunes de, Centelha em Restolho Seco, Edição da Autora, Rio de Janeiro (RJ), 1985.

5 - Ginsburg, Salomão Luiz, Um Judeu Errante no Brasil, Casa Publicadora Batista, Rio de Janeiro (RJ), 1970, 2a. edição.

6 - Aslan, Nicola, A História da Maçonaria, Editora Espiritualista Ltda, Rio de Janeiro (Rl), 1959.

7 - Ferreira, Ebenezer Soares, História dos Batistas Fluminenses , Rio de Janeiro (RJ), Edição do Autor, s.d

8 - Aslan, Nicola, Histórica Geral da Maçonaria - Período Opera ivo, Gráfica e Fditora Aurora Ltda, Rio de Janeiro (RJ), 1979.

9 - Reimer, Haroldo, Maçonaria - A resposta a uma carta. Edições Cristãs, Ourinhos (SP)- s.d.

10 - Pereira, Carlos Eduardo, A Maçonaria e a Igreja Cristã, Livraria Independente Editora, São Paulo (SP), 1945, 3a edição.

11- Lyra,.Jorge Buarque, A Maçonaria e o Cristianismo, Editora Espiritualista Ltda, Rio de Janeiro(RJ), 1971, 4a edição.

12 - Prober, Kurt, A História do Supremo Conselho do Grau 33 o Brasil, Livraria Kosmos Editora, Rio de Janeiro (RJ), 1 981.

13 - Pereira, I. Reis, A História dos Batistas no Brasil, JUERP, Rio de Janeiro (RJ), 1982.

Maçonaria e Protestantismo Brasileiro.


Por Guilherme Parizio

A maçonaria já foi muito tolerada em igrejas evangélicas brasileiras. Os primeiros missionários protestantes em nosso país não polemizavam com membros que eram ou se tornavam maçons, a não ser em alguns casos pontuais. Nas igrejas presbiterianas e batistas era natural encontrarem-se membros e líderes que faziam parte da confraria. Nos anos 50, 60 houve a chamada "polêmica fundamentalista" que causou um alvoroço por conta do liberalismo teológico e outras questões, entre elas o ploblema maçon. Isso provocou um cisma na igreja presbiteriana (um dos lideres do movimento fundamentalista no Brasil foi o Rev. Israel Furtado Gueiros aqui do Recife, pastor de minha mãe). Apesar da polêmica ter despertado muitos cristãos protestantes-históricos (tradicionais, como vulgarmente os chamamos) a maçonaria nunca foi totalmente erradicada dessas igrejas, que ainda é muito debatida por lá.

Segundo algumas fontes esses líderes teriam sido maçons(Incluí tanto líderes ligados a igreja brasileira como aqueles que nunca tiveram nenhum contato com nossa realidade):
W.C. Taylor, Robert Porter Thomas, Salomão Luiz Ginsburg, J.N. Darby, John Smyth, W. Carey, Adoniran Judson, Hudson Taylor, E. Nelson, Samuel Pires de Melo, Antonio Abuchaim, Teixeira Albuquerque, Bancroft, Langstrom, Scofield, K. Barth, M. Luther King Jr., Dr. Shepard, D.M. Lloyd Jones, W. Wiersbi, Norman Vincent Pearle, Og Mandino, James Kennedy, Mc Laren, Colgate, Pember, Sanders e Oswald Smith....
Quanto a Salomão Ginsburg, temos um relato de próprio punho onde ele tranquilamente descreve sua relação com a maçonaria. Me refiro ao livro "Um Judeu Errante no Brasil" (JUERP). Do mesmo não possuo mais exemplar, por isso não posso presisar as páginas, mas lembro muito bem que esses relatos constam do livro.

Fato diverso encontramos no meio pentecostal, que desde suas origens foi um ferrenho adversário tanto do modernismo teológico, como da maçonaria. E ainda assim há quem diga que nesse meio já há até membros em altos graus da maçonaria. Será lenda?